F.E.A.R.

F.E.A.R.

Eu tenho o hábito de tirar alguns jogos do fundo do armário para relembrar aquelas experiências fantásticas, terminar alguns que ficaram pelo caminho, ou finalmente jogar uns que por algum motivo nunca tive a chance de testar. Após meses e meses (até mesmo anos) sem condições financeiras para isso, eu finalmente consegui montar um novo computador com uma configuração adequada para a nova geração de jogos, então pretendo limar alguns desta última categoria.

E apesar de ter sido várias vezes advertido ao contrário, decidi pegar um que estava à mão: F.E.A.R. - First Encounter Assault and Reconnaissance. Esse jogo, produzido pela Monolith e publicado pela Vivendi, foi lançado em Outubro de 2005, e eu lembro bem da experiência de tentar rodar sua demo no meu sistema anterior (um Pentium 3 2.7GHz com uma GeForce 5900 Ultra, top de linha na época que o montei): gráficos no absoluto mínimo possível para conseguir algo semelhante a um jogo, não um slideshow glorificado. Não é preciso dizer que nunca tive coragem de botar o jogo para ver algo tão inferior ao desejado.

Mas agora é um bravo mundo novo; um sistema novinho em folha está à minha mesa, e está na hora de ver se esse jogo é mesmo… tão ruim quanto me fizeram questão de apontar. Eu lembro bem da demo, e apesar de frisar suas raízes no novo cinema de terror japonês, o combate sempre me pareceu interessante. Não custa nada experimentar, não é mesmo? Veja então se F.E.A.R. é assustador mesmo, ou se é apenas ruim de dar medo.

Para quem não conhece o jogo, F.E.A.R. é o nome de uma fictícia força-tarefa militar, chamada para conter um incidente causado por Paxton Fettel, fruto de experiências genéticas que lhe dão controle psíquico de um grupo de super-soldados clonados, altamente treinados e armados. Seu objetivo, assim como a explicação para outros estranhos fenômenos que acontecem pela duração da missão, são desconhecidos. Não parece boa coisa.

Alma

Alma

E realmente não é. A estória do jogo balança entre o absurdo e o estúpido. Uma tentativa de correr atrás do trem (aparentemente desgovernado) de filmes como O Grito (Ju-on) e O Chamado (Ringu), F.E.A.R. inclui um conflito entre Forças Especiais, super-soldados com sentidos aguçados, um robô estranhamente parecido com o ED-209 do Robocop, e uma menina estranha que tem o péssimo hábito de sumir depois de sussurrar frases sem sentido.

A miscelânea de assuntos torna também difícil criar qualquer empatia com os personagens. Os outros membros de sua equipe aparecem o bastante apenas para lembrá-lo que você, de fato, faz parte de uma equipe. Mas pouco nos importamos com seu destino ou com seus comentários. Quanto aos outros personagens, poucos são tão incômodos quanto Norton Mapes, uma tentativa frustrada de injetar um alívio cômico em uma estória que não deveria ter nenhum.

O roteiro não é o único problema. O combate, que deveria ser o destaque do jogo com o recurso de câmera lenta e os cenários “destrutíveis”, é repetitivo e previsível. O jogo implementa um sistema de Inteligência Artificial que permite aos inimigos pular por janelas, empurrar sofás e mesas para criar escudos, e utilizar o cenário para se proteger do jogador. Porém após alguns conflitos é fácil para este descobrir qual é o “raciocínio” dos NPCs, e antecipar o comportamento de todos os soldados que encontramos.

F.E.A.R. - Combate

F.E.A.R. - Combate

Não apenas essa previsibilidade é ruim, mas se torna pior quando notamos que só existem 6 tipos de inimigos no jogo, e sua ordem de apresentação é no mínimo estranha. Durante 70% do jogo, encontramos quase que apenas os super-soldados comandados por Fettel, com a rara inclusão de uma versão destes com armadura mais forte. Porém, em algumas largas seqüências pra lá do meio do jogo, enfrentamos alguns guardas de segurança, que agem exatamente da mesma forma, porém possuem menos armadura, sendo muito mais fáceis de matar.

É apenas próximo ao final do jogo que encontramos alguns soldados mais fortes, porém novamente, a I.A. desses soldados é exatamente a mesma. Eles apenas precisam de mais tiros para morrer, mas usando armas mais fortes, não oferecem nenhum grande desafio.

O visual do jogo também decepciona, mesmo considerando a idade do jogo, quando vemos que nenhum cenário na verdade é destruído, apenas decalques são aplicados para simular destruição, junto com nuvens e mais nuvens de fumaça. Max Payne 1 & 2 tinham recursos semelhantes alguns anos antes, e com um resultado melhor.

O sistema de sombras usado no jogo, entretanto, mostra ainda a qualidade que fez deste jogo um nome a ser reconhecido. F.E.A.R. foi um dos primeiros jogos a permitir sombras “reais”, que mostravam o formato de todos os objetos, inclusive o próprio personagem do jogador, com uma influência direta das luzes do ambiente. Esse recurso foi revolucionário em sua apresentação aqui, e é possível ver porquê.

F.E.A.R. - Terror

F.E.A.R. - Terror

Se a sigla do nome faz a referência à unidade militar da qual o personagem principal faz parte, o nome formado pelas letras trata do segundo grande elemento do jogo. Não satisfeito em ser um jogo de combate, F.E.A.R. é também um jogo de terror. Porém o terror está confinado a alguns sustos ocasionais. À exceção de alguns pontos próximos da conclusão da estória, em momento algum o jogador está realmente em perigo frente às aparições que encontra.

Ninguém está imune a dar alguns pulos quando está totalmente concentrado e algo inesperado salta na sua frente. Porém no momento que o jogador percebe que os sustos do jogo são apenas sustos, o terror deixa de causar medo e se torna apenas um inconveniente. As seqüências de sonho/lembrança/alucinação são bem feitas, porém parecem perdidas em um mar de armas e tiros.

F.E.A.R. não é o pior First Player Shooter que já joguei, mas está bem abaixo da linha da mediocridade. Foi uma experiência razoável para passar o final de semana, mas com os inúmeros outros FPSs que ainda tenho na minha lista para jogar, estará rapidamente relegado ao esquecimento. Bem, pelo menos até que sua continuação, Project Origin, seja lançada.

O que vocês que já jogaram este jogo acharam? Deixem suas opiniões abaixo.

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Comentários

Alex em segunda-feira, 1 de setembro, 2008 à 6:42 pm

Meu amigo você teve saco de jogar até o final ? heheh


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