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Desenterrando: F.E.A.R.

2 Comments/ in Old ptBR Posts / by Kemwer
September 1, 2008

Notice / Aviso

The following was written in Brazilian Portuguese, and is being preserved for archival purposes. All new posts will be written in English.

O post a seguir foi escrito em Português Brasileiro e será preservado com propósito de arquivo. Todo novo conteúdo será escrito em Inglês.

F.E.A.R.

F.E.A.R.

Eu tenho o hábito de tirar alguns jogos do fundo do armário para relem­brar aque­las exper­iên­cias fan­tás­ti­cas, ter­mi­nar alguns que ficaram pelo cam­inho, ou final­mente jogar uns que por algum motivo nunca tive a chance de tes­tar. Após meses e meses (até mesmo anos) sem condições finan­ceiras para isso, eu final­mente con­segui mon­tar um novo com­puta­dor com uma con­fig­u­ração ade­quada para a nova ger­ação de jogos, então pre­tendo limar alguns desta última categoria.

E ape­sar de ter sido várias vezes adver­tido ao con­trário, decidi pegar um que estava à mão: F.E.A.R. — First Encounter Assault and Recon­nais­sance. Esse jogo, pro­duzido pela Mono­lith e pub­li­cado pela Vivendi, foi lançado em Out­ubro de 2005, e eu lem­bro bem da exper­iên­cia de ten­tar rodar sua demo no meu sis­tema ante­rior (um Pen­tium 3 2.7GHz com uma GeForce 5900 Ultra, top de linha na época que o mon­tei): grá­fi­cos no abso­luto mín­imo pos­sível para con­seguir algo semel­hante a um jogo, não um slideshow glo­ri­fi­cado. Não é pre­ciso dizer que nunca tive cor­agem de botar o jogo para ver algo tão infe­rior ao desejado.

Mas agora é um bravo mundo novo; um sis­tema nov­inho em folha está à minha mesa, e está na hora de ver se esse jogo é mesmo… tão ruim quanto me fiz­eram questão de apon­tar. Eu lem­bro bem da demo, e ape­sar de frisar suas raízes no novo cin­ema de ter­ror japonês, o com­bate sem­pre me pare­ceu inter­es­sante. Não custa nada exper­i­men­tar, não é mesmo? Veja então se F.E.A.R. é assus­ta­dor mesmo, ou se é ape­nas ruim de dar medo.

Para quem não con­hece o jogo, F.E.A.R. é o nome de uma fic­tí­cia força-tarefa mil­i­tar, chamada para con­ter um inci­dente cau­sado por Pax­ton Fet­tel, fruto de exper­iên­cias genéti­cas que lhe dão con­t­role psíquico de um grupo de super-soldados clon­a­dos, alta­mente treina­dos e arma­dos. Seu obje­tivo, assim como a expli­cação para out­ros estran­hos fenô­menos que acon­te­cem pela duração da mis­são, são descon­heci­dos. Não parece boa coisa.

Alma

Alma

E real­mente não é. A estória do jogo bal­ança entre o absurdo e o estúpido. Uma ten­ta­tiva de cor­rer atrás do trem (aparente­mente des­gov­er­nado) de filmes como O Grito (Ju-on) e O Chamado (Ringu), F.E.A.R. inclui um con­flito entre Forças Espe­ci­ais, super-soldados com sen­ti­dos aguça­dos, um robô estran­hamente pare­cido com o ED-209 do Robo­cop, e uma menina estranha que tem o pés­simo hábito de sumir depois de sus­sur­rar frases sem sentido.

A mis­celânea de assun­tos torna tam­bém difí­cil criar qual­quer empa­tia com os per­son­agens. Os out­ros mem­bros de sua equipe apare­cem o bas­tante ape­nas para lembrá-lo que você, de fato, faz parte de uma equipe. Mas pouco nos impor­ta­mos com seu des­tino ou com seus comen­tários. Quanto aos out­ros per­son­agens, poucos são tão incô­mo­dos quanto Nor­ton Mapes, uma ten­ta­tiva frustrada de inje­tar um alívio cômico em uma estória que não dev­e­ria ter nenhum.

O roteiro não é o único prob­lema. O com­bate, que dev­e­ria ser o destaque do jogo com o recurso de câmera lenta e os cenários “destrutíveis”, é repet­i­tivo e pre­visível. O jogo imple­menta um sis­tema de Inteligên­cia Arti­fi­cial que per­mite aos inimi­gos pular por janelas, empurrar sofás e mesas para criar escu­dos, e uti­lizar o cenário para se pro­te­ger do jogador. Porém após alguns con­fli­tos é fácil para este desco­brir qual é o “raciocínio” dos NPCs, e ante­ci­par o com­por­ta­mento de todos os sol­da­dos que encontramos.

F.E.A.R. - Combate

F.E.A.R. — Combate

Não ape­nas essa pre­vis­i­bil­i­dade é ruim, mas se torna pior quando nota­mos que só exis­tem 6 tipos de inimi­gos no jogo, e sua ordem de apre­sen­tação é no mín­imo estranha. Durante 70% do jogo, encon­tramos quase que ape­nas os super-soldados coman­da­dos por Fet­tel, com a rara inclusão de uma ver­são destes com armadura mais forte. Porém, em algu­mas largas seqüên­cias pra lá do meio do jogo, enfrenta­mos alguns guardas de segu­rança, que agem exata­mente da mesma forma, porém pos­suem menos armadura, sendo muito mais fáceis de matar.

É ape­nas próx­imo ao final do jogo que encon­tramos alguns sol­da­dos mais fortes, porém nova­mente, a I.A. desses sol­da­dos é exata­mente a mesma. Eles ape­nas pre­cisam de mais tiros para mor­rer, mas usando armas mais fortes, não ofer­e­cem nen­hum grande desafio.

O visual do jogo tam­bém decep­ciona, mesmo con­siderando a idade do jogo, quando vemos que nen­hum cenário na ver­dade é destruído, ape­nas decalques são apli­ca­dos para sim­u­lar destru­ição, junto com nuvens e mais nuvens de fumaça. Max Payne 1 & 2 tin­ham recur­sos semel­hantes alguns anos antes, e com um resul­tado melhor.

O sis­tema de som­bras usado no jogo, entre­tanto, mostra ainda a qual­i­dade que fez deste jogo um nome a ser recon­hecido. F.E.A.R. foi um dos primeiros jogos a per­mi­tir som­bras “reais”, que mostravam o for­mato de todos os obje­tos, inclu­sive o próprio per­son­agem do jogador, com uma influên­cia direta das luzes do ambi­ente. Esse recurso foi rev­olu­cionário em sua apre­sen­tação aqui, e é pos­sível ver porquê.

F.E.A.R. - Terror

F.E.A.R. — Terror

Se a sigla do nome faz a refer­ên­cia à unidade mil­i­tar da qual o per­son­agem prin­ci­pal faz parte, o nome for­mado pelas letras trata do segundo grande ele­mento do jogo. Não sat­is­feito em ser um jogo de com­bate, F.E.A.R. é tam­bém um jogo de ter­ror. Porém o ter­ror está con­fi­nado a alguns sus­tos oca­sion­ais. À exceção de alguns pon­tos próx­i­mos da con­clusão da estória, em momento algum o jogador está real­mente em perigo frente às aparições que encontra.

Ninguém está imune a dar alguns pulos quando está total­mente con­cen­trado e algo ines­per­ado salta na sua frente. Porém no momento que o jogador percebe que os sus­tos do jogo são ape­nas sus­tos, o ter­ror deixa de causar medo e se torna ape­nas um incon­ve­niente. As seqüên­cias de sonho/lembrança/alucinação são bem feitas, porém pare­cem per­di­das em um mar de armas e tiros.

F.E.A.R. não é o pior First Player Shooter que já joguei, mas está bem abaixo da linha da medioc­ridade. Foi uma exper­iên­cia razoável para pas­sar o final de sem­ana, mas com os inúmeros out­ros FPSs que ainda tenho na minha lista para jogar, estará rap­i­da­mente rel­e­gado ao esquec­i­mento. Bem, pelo menos até que sua con­tin­u­ação, Project Ori­gin, seja lançada.

O que vocês que já jog­a­ram este jogo acharam? Deixem suas opiniões abaixo.

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Comments

2 Responses to Desenterrando: F.E.A.R.

  1. Alex says:
    September 1, 2008 at 6:42 pm

    Meu amigo você teve saco de jogar até o final ? heheh

  2. casino says:
    December 15, 2010 at 6:38 am

    J’ai adore l’article

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